Pular para o conteúdo
A agência Agendar conversaAgendar
  1. Blog
  2. Histórias e cases de negócio

Posicionamento de marca: o que o Tesla Roadster ensina

Produto muda. O que o cliente acredita que você resolve é o que aparece na busca pelo seu nome e, no fim, na venda.

Emerson de Lima, fundador da March.
  • Leitura 6 min
  • Publicado
  • Fontes 8

Posicionamento de marca é o lugar que a sua empresa ocupa na cabeça do cliente: o problema que ele acredita que você resolve e por que você, e não o concorrente. Ele nasce do produto, mas não cabe nele: quando o produto muda, a posição fica. O Tesla Roadster que saltou no ar em 15 de outubro de 2026 mostra isso.

O que a Tesla mostrou

Numa base de testes da SpaceX, em McGregor, no Texas, a Tesla apresentou o novo Roadster numa transmissão ao vivo. O carro subiu uma rampa curva de cabeça para baixo, preso ao chão por ventoinhas de sucção, saiu no ar, girou com jatos de ar comprimido e pousou nas quatro rodas. Depois pulou sobre uma fila de veículos da própria marca.

Os números do anúncio:

Item O que a Tesla informou
Aceleração 0 a 96 km/h em menos de 1 segundo, na versão com propulsores (Thrust)
Versões com reserva Performance (US$ 50 mil de sinal) e Thrust (US$ 250 mil); a Rocket, de um lugar e dez propulsores, só por convite
Produção A partir de 2028. A primeira promessa, de 2017, era entregar em 2020
Preço final Não divulgado

Na apresentação, o Musk resumiu o projeto como algo "que você não viu em nenhum filme".

O barulho, medido

Eu olho primeiro para o número. No Google do Brasil, a busca por "Tesla" no dia 16 foi 17 vezes a da véspera, pelo Google Trends. A busca por "Elon Musk" ficou 8 vezes maior e se manteve assim no dia 17. "Tesla Roadster", que não aparecia, saiu do zero.

As buscas que mais cresceram dizem muito: "tesla voa", "carro voador da tesla é real", "carro da tesla que voa é verdade". As pessoas foram conferir se aquilo existia.

Uma apresentação de poucos minutos virou uma semana de assunto. Isso é história contada com engenharia por trás.

Para que serve um carro que pula?

Foi a pergunta da semana. Ela é justa, e a resposta, para quem olha o carro, é: quase para nada.

O próprio mercado diz isso. A Morningstar prevê menos de 2 mil entregas por ano. O Musk disse em 2023 que o Roadster não seria uma grande contribuição para a receita. O analista Dan Ives escreveu que o carro não mexe no volume nem na receita.

Se a conta fosse vender carro, o Roadster não faria sentido. A conta é outra.

O que o Musk vende

Não precisa gostar do Musk para ver isso. As empresas dele vão de foguete a satélite, de inteligência artificial a robô. Neste ano, a Tesla parou de fazer o Model S e o Model X para abrir espaço, na fábrica, ao robô humanoide Optimus. O carro que pula usa propulsores da SpaceX.

O produto muda o tempo todo. A posição fica: a de quem faz virar engenharia o que parecia filme. É isso que o Roadster vende, e é por isso que os analistas o chamam de carro-vitrine. Ele existe para mostrar do que a empresa é capaz, não para encher a garagem de ninguém.

O mercado paga por essa posição. Pela Forbes, em 1º de outubro de 2026, o Musk era o homem mais rico do mundo, com mais que o dobro do patrimônio do segundo colocado. Eu leio esse valor como a aposta dos investidores no que as empresas dele vão fazer.

Qual a diferença entre produto e posicionamento de marca?

Para o consumidor, o Roadster é um espetáculo, divertido e longe da realidade. Para a indústria, é um novo patamar de engenharia mostrado em público. Para o Musk, é a confirmação de uma posição que ele constrói há anos: a de quem chega antes no futuro.

A lição vale para qualquer tamanho de empresa. O produto é o que você entrega hoje. O posicionamento é o que o cliente compra através dele. Quando a empresa confunde os dois, ela fica presa numa caixa: o dia em que o produto deixa de servir, ela deixa de servir junto.

O que a Blockbuster errou no posicionamento?

A Blockbuster chegou a cerca de 9 mil lojas. Em 2000, a Netflix, que alugava DVD pelo correio e dava prejuízo, ofereceu-se à Blockbuster por US$ 50 milhões. Segundo o cofundador Marc Randolph, os executivos riram da proposta. Em setembro de 2010, a Blockbuster pediu recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11).

O problema não foi a fita nem o DVD. Foi a Blockbuster se definir pelo produto, a locação na loja, quando o cliente comprava outra coisa: ver um filme em casa, com o menor esforço possível. A Netflix entendeu o que o cliente comprava e trocou o DVD pelo correio pelo streaming sem sair do lugar.

A fita acabou, depois o DVD. A locadora afundou junto, porque se amarrou à loja.

Como fazer o posicionamento de marca da sua empresa?

Você não precisa ser o Elon Musk nem lançar um carro que voa. Precisa olhar para o seu negócio além do que está na prateleira. Três perguntas ajudam:

  1. O que o cliente compra de você além do produto? Pergunte aos últimos dez clientes por que fecharam. A resposta raramente é o produto; costuma ser prazo, confiança, atendimento ou o problema que deixou de existir.
  2. Se o seu produto sumir amanhã, o que fica? Se a resposta for "nada", a empresa está presa a ele. Se for "a confiança de que a gente resolve", existe posição para construir.
  3. Quando você mudou como entrega pela última vez? Não o que vende, mas como. A Netflix mudou o como, do correio para o streaming, e manteve o quê.

A primeira pergunta leva à sua proposta de valor; a segunda, ao que diferencia você do concorrente.

Como medir o posicionamento de marca?

Posição parece coisa de marca grande e de campanha bonita. Não é. Ela aparece no número, e dá para ler todo mês:

Sinal Onde ler O que mostra
Busca pelo nome da empresa Google Search Console Quantas pessoas já procuram você pelo nome
O que o cliente veio buscar Primeira conversa do comercial, registrada no CRM Se ele chega pelo problema que você quer resolver
Motivo de compra Campo de fechamento no CRM O que ele comprou de verdade, além do produto
Venda de quem já conhecia a marca Origem da venda no CRM Quanto da receita vem da posição, e não só da mídia

O Musk mede o interesse com reserva paga: US$ 250 mil de sinal é interesse com dinheiro na mesa. Na sua empresa, a régua é a mesma, em outra escala. A posição aparece primeiro no que o marketing traz, a busca pelo nome e o motivo da primeira conversa, e se confirma no que o comercial fecha: o motivo de compra e a venda de quem já conhecia a marca. Lead não é resultado. Venda é.

Perguntas frequentes

O que é posicionamento de marca?

É o lugar que a sua empresa ocupa na cabeça do cliente: o problema que ele acredita que você resolve e por que você, e não outro. Ele nasce do produto, mas não se limita a ele; é o que sobra quando o produto muda.

Qual a diferença entre produto e posicionamento?

O produto é o que você entrega hoje. O posicionamento é o que o cliente compra através dele: conveniência, segurança, status, tempo. Quem se define pelo produto fica preso a ele quando o mercado muda; quem se define pelo que resolve troca de produto e continua no lugar.

Qual a diferença entre branding e posicionamento de marca?

Branding é o conjunto de ações que constroem a marca: nome, identidade, comunicação e experiência. Posicionamento é o resultado que essas ações buscam: o lugar que a marca ocupa na cabeça do cliente, frente ao concorrente.

O que o Tesla Roadster tem a ver com posicionamento?

O Roadster apresentado em 15 de outubro de 2026 salta no ar com propulsores da SpaceX, mas deve vender menos de 2 mil unidades por ano. O carro quase não pesa na receita; o que ele vende é a posição da Tesla e do Musk como quem faz virar engenharia o que parecia filme.

Como medir o posicionamento de uma empresa?

Por quatro sinais: quantas pessoas buscam o nome da marca, o que os clientes dizem que foram buscar quando chegam, o motivo de compra registrado no CRM e a venda que vem de quem já conhecia a marca. Os quatro mudam devagar e por isso são lidos todo mês, não todo dia.

Quer ver onde a sua venda se perde?

Fale com a March sobre o seu caso. A Conversa de Receita dura 45 minutos e é gratuita: olhamos o seu marketing e as suas vendas ao vivo e mostramos por onde começar.

Emerson de Lima, fundador

Continue no mesmo tema

Histórias e cases de negócio: O que empresas conhecidas fizeram certo ou errado com a venda (com ficha de fato)?